Um Almodóvar elevado ao cubo

Que Pedro Almodóvar sabe fazer cinema ninguém duvida. Mas seus assuntos polêmicos e abordagens chocantes nem sempre agradam a todos. Em “A Pele que Habito” (La Piel que Habito, no orginal), o diretor espanhol se aventurou num terror psicológico que surpreendeu ainda mais os admiradores e chocou ainda mais os que já não são fãs de seu trabalho.
Baseado no livro Tarântula, do escritor francês Thierry Jonquet, o roteiro gira em torno do cirurgião Dr. Robert Ledgard (Antonio Banderas) que, traumatizado com a morte da esposa queimada em um acidente de carro, teve a idéia de criar uma nova pele resistente a qualquer forma de agressão. Só que além de anos de estudo, o médico burlou as regras e utilizou uma cobaia humana para os seus experimentos, uma mulher misteriosa chamada Vera (Elena Anaya). Ela é mantida na casa de Ledgard e fica sob os cuidados de Marília (Marisa Paredes), a única cúmplice do cirurgião e que o criou desde pequeno.
Em seu novo filme, Almodóvar intensificou o que é ser Almodóvar. Quem conhece sua filmografia sabe que a maioria de seus trabalhos exaltam o poder das mulheres e até mesmo o lado feminino que existe nos homens, como em Má Educação (La Mala Educación, 2004), por exemplo, que aborda assuntos como a homossexualidade ao usar um travesti como protagonista. Em “A Pele que Habito” essas características também podem ser vistas só que muito mais intensas e de uma forma que quase beira o surreal ao misturar gêneros como o suspense, o drama e a ficção científica.
Outras características marcantes do diretor também estão presentes. As cores fortes e contrastantes, os conflitos familiares e a nudez. Além disso, uma das grandes sacadas do filme é justamente a metáfora com a pele. No longa, a pele aparece como uma extensão da alma. Como se bastasse uma mudança externa, por maior que seja, para mudarmos completamente a nossa essência. E essa mudança é abordada por diferentes ângulos, seja por um acidente como a queimadura, por exemplo, ou por uma cirurgia estética.

Falando tecnicamente, o filme é uma obra-prima. Construção narrativa que prende a atenção, jogos de cenas magníficos e sequências ousadas. Sem falar na trilha sonora de Alberto Iglesias, parceiro do cineasta em vários outros trabalhos, que aponta perfeitamente todos os níveis mais tensos e mais dramáticos do longa.
O elenco também foi muito bem escolhido. Antonio Banderas volta a trabalhar com o diretor e dá vida a um homem vingativo e sem escrúpulos sem perder a pose de galã e com uma interpretação brilhante. Um médico apaixonado pela ciência, mas que ao mesmo tempo se mostra em conflito com ela. Acima de tudo isso, Banderas dá vida a um homem angustiado que não conseguiu superar a morte da esposa e as consequências que isso causou. Como o grande trauma que gerou em sua filha Norma (Bianca Suárez) e que fez com que ela se submetesse a tratamentos psicológicos. Um homem que não tem limites para conseguir o que quer e que utiliza a vingança como pressuposto para o que há tempos gostaria de fazer.
Deixando um pouco de lado Penélope Cruz, sua musa mais recente, a protagonista da vez é Elena Anaya, que também já trabalhou com o diretor em “Fale com Ela” (Hable Con Ella, 2002) num papel bem menor. A atriz espanhola surpreendeu ao interpretar uma personagem bastante complexa e paradoxal. Vera aos poucos vai sendo moldada até alcançar a forma ideal para Ledgard, que a molda com traços quase idênticos aos da sua ex-mulher. E não é só a aparência de Vera que muda ao longo do filme, sua personalidade também – quase que a mesma relação de Frankenstein e sua criação.
Já Marisa Paredes, também musa de Almodóvar, interpreta com maestria uma mulher com um amor incondicional pelo cirurgião que criou desde menino. E mesmo que esconda dele alguns segredos importantes, mostra estar disposta a fazer qualquer coisa pela sua felicidade.
“A Pele que Habito” é um filme que brinca com os limites de sanidade, que aponta a fronteira entre a aparência física e o psicológico, entre o sofrimento e a brutalidade. O longa prende a atenção do espectador até o último segundo, misturando tensão e angústia, o que só prova o quanto ilimitado e surpreendente é o cinema do diretor espanhol. Um filme no melhor estilo Almodóvar elevado a potência máxima.
Título Original: La Piel que Habito
Duração: 117 minutos
Gênero: Drama
País/Ano: Espanha/2011
Direção: Pedro Almodóvar
Roteiro: Pedro Almodóvar, baseado em livro de Thierry Jonquet
Fotografia: José Luiz Alcaine
Elenco: Antônio Banderas (Roberto Ledgard), Elena Anaya (Vera Cruz), Marisa Paredes (Marília), Jan Cornet (Vicente), Bianca Suárez (Norma Ledgard), Ana Mena (Norma Ledgard criança), Roberto Álamo (Zeca), Buika (Cantora), Eduard Fernández (Fulgencio), Bárbara Lennie (Cristina), Teresa Manresa (Casilda), Susi Sánchez (Mãe de Vicente), Fernando Cayo (Médico).





















Mariana Keller está no último período de jornalismo e é fotógrafa nas horas vagas. Apaixonada por cinema, resenha filmes e não vive sem música. Sonha em ser documentarista e viajar pelo mundo.



Uau, você escreve muito bem! Parabéns!
Gostei do que escreveu, mas mais como escreveu, da sua escrita, porque o filme não faz o meu gênero…
Beijinhos,
Mell – Croissant Parisiense
[Responder]
Nossa, parece ser legal. E tenso também. G_G
Eu tava meio que com medo de ver, porque o poster meio que me assustou kkk A Mulher tá com uma cara meio de PQP e o Banderas com cara de psicopata. kk
Agora me deu vontade de ver. Se chegar aqui (interior é foda) eu verei.
Beijos
Cah
[Responder]
OMG, quero muito ver esse filme! Assim que eu vi que o filme era do Almodóvar, fiquei toda serelepe! *-* Espero que ele não me decepcione.
Beijos,
Bells – Just a Girl
[Responder]
Saí catatônica do cinema. Amo Almadóvar.Pensei que ele não me surpreenderia, mas ele sempre surpreende. Fui ver ele em uma sala e minha filha foi ver Os Três Mosqueteiros em outra. Saí mudinha, sem palavras.Adorei a resenha!
[Responder]
Parece que esse filme não é pra quem tem nervos fracos!
[Responder]
uaau; me impressionei com o que você falou sobre o filme, gostei!
[Responder]
Que estranho! Não sei não em, esse filme parece ser super chato. Pelo menos pra mim. Quem sabe eu baixe e assista. Vou ver se faço isso.
Beijos, Book and Cupcake.
[Responder]
Gosto muito do Antônio Bandeiras, mas não conhecia este filme, gostei da opinião sobre ele!
…
BJUS ٩(●̮̮̃•̃)۶
@AngelKiller_
Blog Anime-Daiki
[Responder]
Olá, nunca vi nada de Pedro Almodôvar, embora tenha curiosidade, mas esse filme parece que vai ser a minha estréia, achei o tema muito interessante e a forma como a resenha descreveu o filme me deixou com mta vontade ver. Acho muito legal filmes que tem esse tipo de abordagem,gerando questionamentos sobre o poder da Ciência bem e mal usada, parabéns pela resenha bjnhos Pri
Pri e Os livros
[Responder]
Mulher! Você acredita que eu ganhei ingresso pra pré estreia desse filme e não pude ir!!!
Pois é, era numa segunda feira, convidada da Califórnia films e tudo mais. Só que eu tinha combinado de ir assistir a gravação do programa do Jô. Na decisão escolhi o Jô, mas ainda vou ver esse filme no cinema, só que agora eu vou pagar, rsrsrs
Adorei!!!
bjkassss
[Responder]
Eu gosto bastante do trabalho de Almodóvar, mas ainda não vi esse filme! Estou bem ansiosa por assistir a ele, ainda mais depois dessa resenha!
beijão!
[Responder]
Caraca, eu acho que eu realmente não esperava isso desse filme… Mas sua resenha foi MUITO boa, sério, parabéns, ameeei :3
Fiquei com muita vontade de ver o filme *-*
[Responder]
Almodóvar é um gênio!
[Responder]
Nossa fiquei impressionada com esse filme, ja tinha ouvido falar mais nao sabia do que se tratava. Não sei se tenho vontade de ver, parece muita loucura !!
Mais adorei a resenha
Bjs
[Responder]
Muito boa a resenha! Nunca vi nada do Almodóvar, mas tenho vontade e esse filme parece ser ótimo e bem tenso! Sem falar no Antonio Banderas que eu adoro e parece fazer um papel bem intenso e interessante.
[Responder]
Adoro filmes que me surpriendem…Para mim Almadóvar é um brilhante cineasta adorei a resenho e fiquei com mais vontade ainda de assistir o filme alem de ser intrigante e de ficção cientifica tem o maravilhoso Antonio Bandeiras *_*
[Responder]
Muito boa resenha, Mari. Nunca assisti nada do Almodóvar, provavelmente começarei por esse filme.
Você tem filmow? Seria interessante ver os filmes que você já assistiu e os seus favoritos ;)
[Responder]
Mariana Keller
21 de novembro de 2011 às 2:15 AM
Oi Janine,
Que bom que gostou da resenha, fico feliz!! =)
Eu tenho Filmow sim. Você, inclusive, me fez lembrar de dar uma atualizada nele, tava bem esquecido, coitado! haha
Ainda está meio abandonado, mas se quiser dar uma olhada, o meu perfil é esse: http://filmow.com/usuario/_Mari_/
Beijos ;*
[Responder]
Francielle
21 de novembro de 2011 às 9:19 AM
Filmow!
Tinha esquecido do meu! Tem TAAAANTA coisa que preciso atualizar!
[Responder]
Eu estou doida para ver este filme! Estou cheias de expectativas (e espero não acabar com elas, hihi), mas acredito que elas serão supridas, pois tu falaste muito bem dele *-*
Beijinhos :*
[Responder]
Parabéns pela resenha, Mari!
Gosto de detalhes e vc consegue fazer isso muito bem, e o melhor, sem estragar o principal que é contar o filme para a gente! Pois cada um quer ter a chance de assistir aos filmes e ter suas próprias opiniões e emoções, né?
Fiquei curiosa para assistir, depois de ler sua resenha, mas acredito que o filme não é muito meu estilo, infelizmente!
Mesmo assim, obrigada pela dica!
Uma boa semana! Até a próxima!
Beijos!
[Responder]
Assisti e adorei esse filme.
É um filme diferente dos filmes anteriores de Almodóvar.
Prendeu a minha atenção. Tema instigante!!!
Recomendo!!!
Beijinhos***
[Responder]
A resenha me deixou com muita vontade de ir correndo pro cinema! Já tinha ouvido alguns comentários no Saia Justa da GNT e achei incrível essa idéia da pele em que habito, do corpo que por um lado é a nossa casa e que por outro pode nos aprisionar. Adoro os filmes do Almodóvar e tenho certeza que esse será no mínimo surpreendente!
[Responder]
Primeiro prabéns pela resenha, você escreve muito bem e entende de cinema e principalmente entende de Almodóvar. Seu texto realmente me deixou com vontade de ver esse filme.
[Responder]
Engraçado que há dois dias o pai da minha amiga perguntou se eu havia assistido este filme e eu nunca tinha escutado falar sobre ele. Depois de uma mega conversa cheia de insinuações reflexivas e ver o trailer, resolvi que preciso mesmo ver esse filme.
[Responder]
Eu já estava interessada em ver esse filme. Depois de ler sua resenha, fiquei morrendo de vontade! Já anotei na minha lista de filmes que quero ver.
[Responder]