Resenha: Delírio

quinta-feira, 22 de março de 2012


Delírio
de Lauren Oliver,
editora Intrínseca.

EDITORA Intrinseca

Os sintomas do amor deliria nervosa incluem: dificuldade de concentração, períodos de euforia, pensamentos e ações obsessivas, insegurança, dificuldade de respirar, alucinações e ilusões.

Há mais de meio século o amor foi diagnosticado como uma doença incurável, perigosa e com necessidade de erradicação. Os médicos e cientistas dos Estados Unidos da América conseguiram desenvolver uma cura e, para se livrar de todo o mal, promoveram um grande extermínio, além de fecharem suas fronteiras.

E é nesse país puro, isolado do resto do mundo, que vive Lena Haloway, de quase dezoito anos. Morando com os tios e primas – já que seu pai morreu quando ela era um bebê e sua mãe sucumbiu à doença há alguns anos -, Lena conta os dias para seu aniversário.

Isso porque, ao completar dezoito anos, todos os cidadãos estadunidenses recebem a cura e ficam livres de toda a ameaça causada pelo deliria. Antes, porém, todos precisam passar por uma espécie de triagem que ajuda a definir suas chances de ser alguém na vida, ter um emprego decente e encontrar um bom par – tudo determinado pelo Estado, claro.

E a vida de Lena muda bem aí, no dia que ela pensava ser o mais importante de sua vida. E acaba sendo, na verdade… Mas por outros motivos. Durante sua avaliação uma interrupção bizarra acaba acontecendo e ali, enquanto tenta se proteger, seus olhos encontram os de um lindo e desconhecido rapaz – que, definitivamente, não deveria estar ali.

Tudo o que ela sabia e esperava da vida começou a se transformar naquele momento. Principalmente depois que ela e Alex, o misterioso rapaz de olhos profundos e sorriso sedutor, se reencontram. Ao mesmo tempo em que sua melhor amiga, Hana, está forçando todas as regras até o limite e deixando-a maluca.

Lena sempre seguiu todas as regras e acreditou no poder da cura e na bondade do Estado. Até certo ponto era uma das mais doutrinadas de seu núcleo familiar, depositando toda a esperança de uma vida feliz na cura. Mesmo depois que Hana mostra seu lado rebelde e Alex se aproxima, Lena resiste e demora muito a entender a verdade por trás de sua sociedade perfeita.

Uma sociedade que, claro, tem seus opositores. Os Inválidos, moradores da Selva, que foram segregados ou fugiram para o outro lado da cerca que protege o país para viver em liberdade, amando.

O livro me lembrou MUITO Feios e Destino. Na verdade, ficou um pouco como uma mistura dos dois – que adoro. Todos os elementos das distopias estão lá: uma sociedade controladora, a doutrina rígida, a falta de escolha e até os rebeldes.

Só que ainda acho Lena a mais doutrinada das três protagonistas. E acompanhar seu grito de liberdade torna-se mais prazeroso por isso!

O único ponto contra que preciso citar é a pouca exploração da sociedade em si. Na verdade não é nem exploração, mas explicação. Acho que mais detalhes sobre os comandantes do país e como tudo chegou até o ponto em que está teriam me deixado mais satisfeita.

Grande parte da doutrina do Estado chega até nós nos inícios dos capítulos, sempre com um trechinho de um livro da sociedade ou algo que faça referência à ela de alguma maneira. Além disso, temos apenas o olhar de Lena, que demora um pouco a se expandir.

A protagonista, na verdade, está cercada de personagens fantásticos! Hana é divertida e rebelde na medida certa; riquinha, mas não esnobe, e muito leal. Alex é o mocinho perfeito; lindo, inteligente, com seus segredos perigosos e que nos deixa suspirando, contaminadas pelo deliria sem reclamar. Além da pequena Gracie, que aparece pouco, mas é decisiva para os rumos da história.

O livro começa mais devagar, com o dia a dia da protagonista, mas vai melhorando conforme acompanhamos seu despertar e a evolução de seus relacionamentos. O final é alucinante e me deixou com o coração sangrando para ler Pandemonium, a continuação.

Acho que o que mais me tocou na história foi o “tipo” da sociedade distópica que Lauren criou. Conseguem imaginar viver em um mundo sem amor? Sem carinho, sem sentimentos arrebatadores, sem dor, sem alívio, sem alegria sincera? Um lugar onde você não pode rir até chorar, dançar loucamente, ouvir sua música favorita, abraçar quem você gosta e nem mesmo escolher com quem passar o resto da vida?

Assustador, eu sei. E por isso tão legal. Uma boa reflexão maquiada com uma boa história e bons personagens. Quer coisa melhor?

Agora, se você é do Rio de Janeiro, aproveite! Nesse sábado, 24/03, teremos evento de lançamento do livro na Livraria da Travessa do Shopping Leblon! Segue o convite – clica que aumenta. \o/

delírio

95 Comentários em “Resenha: Delírio”

Deixe um comentário




Se você está acessando o Livros & Bolinhos do seu celular ou tablet, para responder ao Captcha na versão móvel do site não é necessário arrastar a imagem da resposta, basta selecioná-la.

Powered by sweet Captcha