Filme: 360

O Círculo da Vida
Encontros, desencontros, destinos entrelaçados e pessoas que entram e saem da nossa vida repentinamente. Esta temática já é bastante abordada no cinema e, desta vez, o cineasta que resolveu se aventurar no tema foi o brasileiro Fernando Meirelles com o seu “360”.

O filme conta a história de diferentes personagens em diferentes países. Mirka (Lucia Siposová) é uma jovem tcheca que, para juntar dinheiro, decidiu começar a trabalhar como prostituta, mesmo com a irmã, Anna (Gabriela Marcinkova), reprovando a atitude. Laura (Maria Flor) é uma mulher que deixou o Brasil para morar com o namorado Rui (Juliano Cazarré) em Londres, mas acaba descobrindo que ele tem um caso com uma mulher casada.

Do outro lado, John (Anthony Hopkins) é um senhor que se culpa pelo desaparecimento da filha, Tyler (Ben Foster) é um criminoso em recuperação que está saindo da cadeia e Argelino (Jamel Debbouze) é um homem apaixonado por outra mulher casada. Já os casais Rose (Rachel Weisz) e Michael (Jude Law), e Valentina (Dinara Drukarova) e Serguei (Vladimir Vdovichenkov) vivem uma crise em seus casamentos.

O destino dessas pessoas se cruza de formas inesperadas. O ponto de partida para as histórias cruzadas é Mirka, que, enquanto prostituta, assume o pseudônimo de Blanka. Seu primeiro cliente seria Michael, marido de Rose, que, por sua vez, o trai com Julio, namorado de Lúcia. E acompanhamos esses e outros acontecimentos em diferentes cenários, passando por Viena, Paris, Londres, Bratislava, Rio de Janeiro, Denver e Phoenix.

O diretor Fernando Meirelles é mundialmente conhecido por filmes como “Cidade de Deus” (2002), “O Jardineiro Fiel” (2005) e “Ensaio Sobre a Cegueira” (2008). Este último, inclusive, aprovado por José Saramago, autor do livro adaptado. Seus filmes costumam apresentar um forte apelo político-social e, desta vez, o diretor apareceu mais leve e se aventurou num universo diferente do que estava acostumado: os relacionamentos humanos.

Baseado na peça de teatro “La Ronde”, de Arthur Schnitzler, Meirelles trabalhou em parceria com o roteirista Peter Morgan, que já escreveu filmes com a mesma temática, como o “Além da Vida” (2010), dirigido por Clint Eastwood. Porém, dessa vez, não fez um trabalho tão proveitoso.

O longa não traz nada de muito novo para o cinema, já que o filme pode ser facilmente comparado com “Crash, no Limite” (2004), de Paul Haggis, e a trilogia de Alejandro González Iñárritu – “Amores Brutos” (2000), “21 Gramas” (2003) e “Babel” (2006). Mas, apesar de não ser tão ousado quanto os filmes em questão, “360” aposta numa abordagem que vai além das vidas cruzadas dos personagens.

No lugar de mostrar que escolhas aparentemente simples podem ter grandes consequências, não só na nossa vida, como também no destino de outras pessoas, Meirelles vai além. Ele mostra que isso se repete infinitamente. Assim, ele começa e termina o filme da mesma forma, justamente para reforçar a ideia de um ciclo.

O elenco escolhido é composto por grandes nomes, o que ajudou a dar força para o filme. Mas, mesmo assim, acaba sendo desvalorizado pelo roteiro. O destaque vai para Antony Hopkins, que, mesmo aparecendo pouco, dá vida a um homem amargurado com o passado, mas que passa a enxergar uma certa esperança de se perdoar ao conhecer a jovem Laura, interpretada pela atriz brasileira Maria Flor. Ela também está muito bem no papel de uma jovem que, depois de uma delisuão amorsa, tenta se arriscar mais na vida.

O ponto fraco do filme é que algumas histórias parecem ter se perdido. Alguns personagens são pouco explorados e até mesmo mal constrúidos, por isso não conseguimos nos emocionar ou nos identificar com eles. A sensação que deixa é de que suas histórias ficaram sem conclusão. E isso se dá pela preocupação excessiva em fazer o filme respeitar a estrutura do giro dos 360º. Além disso, o roteiro também falha ao priorizar o indioma inglês, quando, na verdade, a ideia era criar um filme universal, que se passa em lugares diferentes.

De qualquer forma, “360” é eficiente ao mostrar o ciclo da vida e nos faz questionar se realmente são apenas nossas escolhas que nos guiam. A verdade é que estamos todos interligados e nosso destino sempre depende do destino das outras pessoas que passam por nosso caminho.

Ficha Técnica
Título Original:
360
Duração: 115 minutos
Gênero: Drama
Ano: 2012
Direção: Fernando Meirelles
Roteiro: Peter Morgan
Fotografia: Adriano Goldman
Elenco: Rachel Weisz, Anthony Hopkins, Jude Law, Ben Foster, Mark Ivanir, Moritz Bleibtreu, Jamel Debbouze, Peter Morgan, Tereza Srbova, Katrina Vasilieva, Juliana Cazarré, Maria Flor.

  1. Juh Sutti disse:

    Oi Mari!
    Não consegui assistir esse filme inteiro, desanimei logo no começo! Eu quis assistir por causa dos atores, mas não rolou.
    Mesmo assim, adorei a resenha.

    Beijos
    Livros e blablablá

    [Responder]

  2. Khrys Anjos disse:

    o elenco é maravilhoso mas não me deixou com vontade de assistir. Muitas histórias juntas me confundem.

    Um leve bater de asas para todos!!!!!!!!!

    [Responder]

  3. Lady disse:

    Eu não gosto muito de filmes que misturam várias-histórias-que-se-cruzam-em-algum-momento porque sempre sinto uma falta de profundidade em pelo menos dois dos inúmeros fios narrativos. Afinal, SEMPRE rola alguém que aparece mais, que se aprofunda mais, é meio inevitável. Mesmo assim estou muito afim de ver 360, principalmente por se tratar de uma experiência nova no que diz respeito ao Fernando Meirelles, que é um cara que eu admiro muito :) Espero assistir logo :D
    Beijocas

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  4. Dani Marjorie disse:

    Adoro esse tipo de filme que mistura várias histórias, e Crash no limite foi um filme ótimo pra mim, então se estão comparando os dois eu com certeza vou gostar desse.

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  5. Vi o triller do filme outro dia e achei bem interessante. Não sei se gosto ou não de filme que misturam histórias, acho que depende de como se desenvolve os enredos, mais esse parece ser um bom filme.

    Beijos!! :)

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  6. Caroline Mendes disse:

    Fernando Meireles tem dirigido coisas fantásticas nos últimos tempos!
    E com esse elenco, deve ser coisa de primeira qualidade, curti muito a dica. ;)

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  7. Lívia C. disse:

    Oiii Mari =)
    Não vejo muitos filmes nesse gênero, mas acho que esse filme pode ser bem interessante, adorei a dica e adorei o elenco.
    Bjsss ;*

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  8. Não conhecia o filme e achei bem legal a mistura de nacionalidade do elenco :)
    Já é quase comum filmes da qual as pessoas acabavam se encontrando de alguma maneira, mas achei interessante esse ;D

    http://autoracarolinaribeiro.blogspot.com

    [Responder]

  9. Luiza disse:

    Oi Mari!

    Ah, to louca para ver esse filme! O elenco realmente é perfeito. Sua resenha me deixou empolgada. Que orgulho do Meireles hein! ^^

    Beijos,

    Lú!

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  10. Jessica Lisboa disse:

    O filme me parece ser bom, vou tentar assisti-lo.

    [Responder]

  11. Eu acho que filmes em que se contam várias histórias e elas se cruzam, têm que ser feitos com muito muito cuidado e atenção. Pois, as histórias podem ser mal contadas e construídas, alguns personagens podem não ser bem explorados e o roteiro pode acabar se tornando um fiasco.
    Apesar da resenha ser muito boa, esse não é um filme que eu tenha vontade de assistir.
    Bjos.

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  12. Olá, li uma crítica bem boa também sobre esse filme no blog do jornalista Zeca Camargo. Gostei das abordagens que li aqui e lá, me deixou bem interessada para assistir ao filme. :)

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  13. Cláudia Soares disse:

    Muito boa a resenha.
    Mas o filme parece um pouco confuso desde a descrição.
    Gostei da ideia do ciclo. É exatamente isso. A história de cada personagem separadamente são bem interessantes.
    Não sei como fica na trama toda.
    Vou assistir sim.
    Sempre gostei muito dos filmes de Meirelles. Achei que pode ser bem parecido mesmo com Babel. Por sinal, amei Babel, a história é muito bem construída.
    beijos Mari

    [Responder]

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