Filme: Aqui é o Meu Lugar

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Existe um lugar para nós?

Quando vemos o pôster de “Aqui é o Meu Lugar” (“This Must be the Place”, no original) ficamos na dúvida sobre o que o filme aborda. Com um visual estranho, que à primeira vista lembra um travesti, não sabemos exatamente que tipo de pessoa Sean Penn está interpretando, mas mesmo assim já dá para perceber que é um dos personagens mais exóticos de toda sua filmografia.

Sean Penn, na verdade, dá vida a Cheyenne, um ex-astro de rock dos anos 80 com um visual andrógino bastante parecido com o do vocalista do The Cure, Robert Smith. Ele fez muito sucesso com sua banda, mas abandonou a carreira há anos atrás e atualmente vive deprimido e angustiado em Dublin com sua mulher, Jane (Frances McDormand). Quando descobre que seu pai está prestes a falecer, decide voltar para os Estados Unidos para passar os últimos momentos com ele, mas não consegue chegar a tempo.

Se sentindo culpado por ter ficado mais de 30 anos longe do pai, ele tenta realizar um dos maiores objetivos do recém-falecido: encontrar um nazista que o humilhou durante o holocausto em Auschwitz. Assim, o músico sai em uma busca do sujeito numa jornada que o leva a conhecer a si mesmo através das pessoas e histórias que encontra pelo caminho.

Dirigido pelo italiano Paolo Sorrentino (do premiado “Il Divo”, de 2008), o filme é sua primeira produção em inglês e apresenta um estilo que divide opiniões. Por ter um ritmo lento e uma história sem grandes acontecimentos, o ponto alto do longa está nos recursos técnicos e na construção do personagem principal.

Com um ar de Road Movie, Sorrentino abusa dos movimentos com a câmera e economiza nos cortes, gerando assim, um efeito visual bastante interessante para as cenas. É como se a câmera acompanhasse não só os passos, como também o olhar do protagonista.

Cheyenne é um personagem bastante original em sua construção. Apesar de ser um rockstar, ele não apresenta uma personalidade rude ou agressiva como o estilo musical propõe. Muito pelo contrário, ele se mostra bastante frágil, até mesmo com um ar feminino e com uma lentidão de pensamentos e movimentos que podem ser atribuídos ao uso abusivo de drogas quando era jovem.

Além disso, o personagem também é usado como uma crítica à juventude atual e principalmente ao meio artístico. Como quando indaga sobre o fato de, hoje em dia, todo mundo conseguir fazer alguma coisa relacionada a arte sem nem trabalhar para isso. Sem contar o fato de sua música ter influenciado negativamente dois jovens, o que nos faz questionar até que ponto uma música pode influenciar nas atitudes de alguém.

Sean Penn, que é reconhecido por filmes como “Milk: A Voz da Igualdade”, de 2008, “Sobre Meninos e Lobos”, de 2003, e “21 Gramas”, também de 2003, mais uma vez foi brilhante em sua atuação. Mas talvez o filme que mais se assemelhe ao personagem da vez seja o “Uma Lição de Amor”, de 2001, em que interpreta um homem com deficiência mental. Mesmo que Cheyenne não tenha nenhum tipo de deficiência, suas sequelas das drogas e também seu trauma com a própria fama o fazem agir como uma criança.

A trilha sonora também não pode deixar de ser comentada. A música que dá nome ao filme é da banda nova-iorquina Talking Heads e é usada em diversos momentos durante a projeção. E sua letra só confirma que a trilha principal não poderia ser outra. Inclusive, o vocalista e fundador da banda, David Byrne, aparece no longa cantando com a banda fictícia The Pieces of Shit.

Com uma sensibilidade que lembra o estilo de Sophia Coppola, o filme mistura humor e drama e mostra através de detalhes como o amadurecimento não tem hora certa para chegar. Abordando temas como culpa, vingança e relações familiares, o longa, na verdade, é uma fábula sobre o pertencimento e mesmo que muitas reflexões sejam superficiais, nos mostra a importância da jornada em busca da vida.

Ficha Técnica
Título Original:
This Must be the Place
Duração: 120 min
Gênero: Drama
País/Ano: EUA/2011
Direção: Paolo Sorrentino
Roteiro: Paolo Sorrentino, Umberto Contarello
Fotografia: Luca Bigazzi
Trilha Sonora: David Byrne, Will Oldham
Elenco: Sean Penn, Eve Hewson, Frances McDormand, Judd Hirsch, David Byrne

21 Comentários em “Filme: Aqui é o Meu Lugar”

Deixe um comentário




Se você está acessando o Livros & Bolinhos do seu celular ou tablet, para responder ao Captcha na versão móvel do site não é necessário arrastar a imagem da resposta, basta selecioná-la.

Powered by Sweet Captcha
Confirme sua visita,
Coloque os sapatos na caixa
  • captcha
  • captcha
  • captcha
  • captcha