Resenha: A Seleção

sexta-feira, 9 de novembro de 2012


A Seleção
de Kiera Cass,
editora Seguinte.

Iléa é um pais nascido do que sobrou dos devastados Estados Unidos da América. Ali, a população é dividida em oito castas que são as responsáveis por inserir os cidadãos na sociedade definindo sua situação financeira, social e profissional. Quanto mais alto o número da casta, mais difícil é a vida.

America Singer é uma Cinco e, por isso, uma artista. Sua vida é marcada por algumas privações, apresentações para as castas mais importantes e um namoro secreto com Aspen, um Seis com quem planeja secretamente se casar um dia.

Mas Iléa tem suas tradições e uma delas é A Seleção. Um reality show que reúne trinta e cinco garotas, entre 16 e 20 anos, de todos os cantos e castas para disputarem uma bela coroa e o coração do príncipe. É isso mesmo: a vencedora vai se casar com o futuro rei, tornar-se uma Um e melhorar sua vida e de sua família.

É claro que para America a Seleção é mais uma coisa fútil, um momento para comer pipoca com os pais e assistir garotas usando lindos vestidos e brigando pela atenção do príncipe. Mas isso não a livra da inscrição. Preocupado com o futuro que acha que não poder dar a amada, Aspen implora para que ela ao menos faça a inscrição no programa. E isso mais a insistência e um acordo com sua mãe a levam a enviar os papéis e esperar.

Ela tinha certeza que nada aconteceria, mas no dia do anúncio oficial lá está sua foto na tela. America Singer, Cinco, artista, com um namoro escondido, uma família boa e agora selecionada para brigar pela vaga de princesa. Sua vida dá um giro de 180º da noite para o dia e ela não sabe o que fazer.

Mas Aspen o destino decide por ela e logo America está deixando para trás sua casa e sua família e indo morar no maravilhoso palácio da família real com trinta e quatro outras candidatas.

As coisas são bem diferentes do que ela imaginou, começando pelo príncipe, alguém que ela sempre acreditou ser mimado, orgulhoso, metido etc e tal, mas que se mostra um futuro governante determinado, inteligente, além de sensível, engraçado e – claro! – lindo.

Com o coração partido, America foi para o palácio para se curar, mas acabou encontrando muito mais que conforto. Ali estava uma vida com a qual ela jamais sonhou, ao alcance de suas mãos, a apenas 34 garotas de distância.

SIM! O livro é classificado como distopia, mas para mim parece mesmo um bom romance. Existe a parte política? Sim. Os rebeldes são um tormento para os moradores do castelo? Sim. Isso é aprofundado neste livro? Não. Meu chute é que o segundo livro vai aprofundar essas questões polícias, especialmente porque é uma das coisas que une America e Maxon…

Mas o que manda em A Seleção é o romance, a parte menininha mesmo. Imaginem TRINTA E CINCO meninas morando num castelo e tentando ganhar o coração de um príncipe? POIS É. Enquanto algumas sentem-se perdidas e não queriam estar ali, outras são capazes de QUALQUER coisa para ter uma chance.

Maxon é um doce e conquista a simpatia e a amizade de America logo de cara (ok, não exatamente, mas quase isso). A evolução do relacionamento deles é sensata e muito bacana de acompanhar. É como se um pudesse ajudar o outro em questões que nem imaginavam… Como quando ela fala para ele sobre o “mundo lá fora” ou quando ele a leva para passear para distrair a cabeça e o coração da menina.

America é uma ótima narradora, especialmente capaz de nos fazer sentir a mesma empolgação, insegurança, alegria, tristeza ou expectativa que ela sente. É uma menina que sofreu uma desilusão amorosa e ganhou a chance de recomeçar, mas não sabe se é bem isso que ela quer.

A coisa acaba se desenvolvendo em um triângulo amoroso levemente clichê, mas também estimulante de acompanhar. Acho Maxon um doce, realmente um cavalheiro, e que constrói uma relação muito bacana com America… Mas, ainda assim, apesar de tudo de bom que ele faz e das coisas reprováveis que Aspen faz, meu coração – por enquanto – torce para o Seis.

A protagonista tem uma personalidade forte e não se deixa abater por qualquer coisa. É realmente digna de continuar na disputa e também a responsável por quase todas as cenas engraçadas… Porque America é verdadeira e se precisar berrar com alguém – seja um guarda ou alguém da realeza – ela realmente vai fazer isso.

O livro sofreu muitas comparações injustas com Jogos Vorazes. Para mim o foco dos livros é COMPLETAMENTE diferentes. A Seleção tem seus momentos de justiça social, mas são poucos e não chegam aos pés do que Katniss e cia fazem. Mas esse é o bacana da história! Você não precisa se engajar de verdade, basta deixar fluir.

Confesso que não considerei um livro memorável, mas serviu exatamente para o propósito que eu queria: relaxar. E a história rola tão naturalmente que é quase impossível de largar até a última página. E aí, quando não esperava mais nada, vem o final surpreendente. Pois é, PRECISO da continuação LOGO. E acho que vocês também vão precisar quando lerem. ;)

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