Resenha: Um Dia de Cada Vez

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Um Dia de Cada Vez
de Courtney C. Stevens,
editora Suma de Letras.

EDITORA Suma de Letras

Em primeiro lugar: absolutamente adoro essa capa. Não sei explicar, ela não tem nada de especial, mas desde a primeira vez que vi, ainda na edição original, achei super atrativa e interessante.

Em segundo lugar: oi? Que título é esse?! É mais um título de livro de autoajuda do que outra coisa! O que aconteceu com o “Faking normal” original? :(

OK. Apesar do título que não curti, meu interesse permanecia imenso. Respirei fundo e me joguei na leitura, torcendo para não ser uma decepção. E agora conto pra vocês tudo o que achei! :)

Alexi Littrell é uma adolescente como muitas outras: poucas, mas boas amigas, pais presentes, uma irmã mais velha e um futuro brilhante pela frente. Tudo ia relativamente bem até uma noite de verão que arrasa sua vida, suas certezas e sua segurança para sempre.

Constrangida e assustada, ela faz de tudo para fingir uma aparente normalidade (daí o título original!), mas é na segurança de seu quarto que sua dor vem à tona: arranhões profundos e uma compulsão por contar, tudo para tentar manter as aparências no dia a dia, mas conseguir extravasar o que realmente sente.

Entre seus segredos obscuros e a tentativa de enganar a todos, Alexi encontra alegria em um único lugar. É naquela carteira da escola que um misterioso rapaz deixa letras de música que parecem compreendê-la completamente e consegue, assim, acalmar seu coração. Pensar naquelas canções é o que a faz seguir em frente.

Bodee Lennox é conhecido por pintar o cabelo com suco em pó. Ele, que nunca foi exatamente comum ou se encaixou com facilidade, agora recebeu um novo rótulo terrível: o garoto cujo pai assassinou a mãe. Com a vida verdadeiramente devastada, ele acaba indo morar com os Littrell e se mostrando um ótimo menino.

Dia após dia Bodee acaba entrando na rotina de Alexi e vice-versa. É o único a perceber seus segredos e não faz cobranças, apenas está ali ao lado dela para ajudá-la a superar, assim como ela está ao lado dele pelo mesmo motivo. Aos poucos uma amizade nasce da dor e parece ser a única forma dessas duas pessoas tão machucadas conseguirem seguir em frente.

É isso aí, preciso dizer mais alguma coisa? A premissa pode parecer um pouco clichê – e até é em alguns pontos -, mas o desenvolvimento da história e dos personagens é espetacular! Temos dois adolescentes muito machucados, mas que são capazes de encontrar segurança, consolo, força e coragem um no outro. São daqueles amigos que não te cobram, mas estão ali para tudo, a qualquer momento, não importa a situação.

Alexi tem sua dose de dor e, apesar de não saber lidar tão bem com isso, faz o impossível para preservar a família e os amigos – mesmo que isso seja errado. Ela sofre muito, mas não fica mimizenta, apenas luta para seguir em frente, mesmo quando tudo parece impossível.

Bodee, por sua vez, tem um outro tipo de dor, mas sente calado, sozinho, tentando continuar com a vida. Alexi é o ponto que, ao mesmo tempo, o desvia de seu problema e o obrigada a enfrentá-lo. Ele é doce, carinhoso, protetor e paciente, mas também é determinado e vai fazer de tudo para ajudar Alexi e a si mesmo.

Os dois são lindos. São pessoas incríveis que me emocionaram e envolveram ao longo de toda a história. Não conseguia largar o livro nem por um minuto! Chorei e sorri, senti ódio e amor, tudo ao longo das pouco mais de 220 páginas.

A qualidade narrativa é sensacional e a força que a autora imprime aos personagens é verossímil e completamente cativante. Os personagens “secundários” também são complexos e bem construídos, e têm uma participação muito importante, além de força própria e reviravoltas. Isso sem citar a revelação bombástica e o final de prender a respiração!

Minha única outra ressalva – além do título – também tem a ver com tradução: faltou um pouco de esmero. O Bodee não pinta o cabelo com “Ki Suco”, não faz sentido fingir que sim (a marca original é em inglês) e traduzir o apelido. Mas, pior que isso, foi a decisão de traduzir as letras das músicas e nem colocar uma nota de rodapé com o trecho original. Foi bem decepcionante. :(

O foco aqui não é o possível romance com o misterioso menino da carteira, não é o nascimento de um amor adolescente arrebatador, não é só uma história para nos distrair e divertir – não! O principal do livro é seu poder de reflexão a respeito de situações sérias (a própria autora dá dicas sobre isso no final), da importância de entender o que se vive, de ter alguém com quem contar, de poder confiar de novo nas pessoas, dar a volta por cima e seguir em frente.

É um livro sobre conflitos adolescentes, sim, mas é um livro esperançoso. É cruel e duro com a realidade de alguns fatos, mas também gentil e doce. Mexe conosco, nos desperta raiva, inquietação, mas também uma compreensão e paz ao final.

Fiquei absolutamente encantada com a escrita da autora e apaixonada pelos personagens e pela história. O título faz sentido em português, apenas não acho que encaixou bem. Mas isso é um detalhe perto de todo o resto, juro! Recomendo muitíssimo, o tipo de leitura sem arrependimentos que todo mundo que gosta do estilo deve fazer. Amei. :)

  1. Rodrigo disse:

    Eu também gosto muitíssimo dessa capa. E a história, então, chamou bastante a minha atenção. Sua resenha me passou uma segurança de que esse livro vai além do que eu costumo ler. Eu preciso, urgentemente, ter esse livro. E já vou colocá-lo como um dos próximos na minha lista de leituras; eu preciso lê-lo.

  2. Fernanda disse:

    Como você sempre é perfeita nas resenhas e temos o gosto parecidíssimo para os livros..já estou a caminho da livraria para adquirir o meu “Um dia de cada vez”. Beijo Juh..Obrigada por tornar as minhas escolhas mais fáceis :*

  3. Gabriela Bertollotto disse:

    oi Juh…adorei sua resenha (pra variar né?!) adoro esse tipo de livro…ja entrou na minha lista de futuras compras…bjsss

  4. Fe machado disse:

    Juh, no skoob está como “livro 01” . Será que tem continuação?

  5. Bia disse:

    Na verdade, o Bodee pinta, sim, o cabelo com Ki-Suco. Alok. O nome no original é “Kool-aid”, marca que no Brasil é chamada de “Ki-Suco”. É só jogar no Google e conferir. Não entendo qual é sua sugestão. Se ele pintasse o cabelo com Coca-Cola, ia sugerir que ficasse “Coke”? Não faz sentido.
    E as letras de música do livro não existem. Nem as bandas. Foi tudo inventado pela autora, então entrou na tradução, como o resto do livro. De novo, dá pra achar isso no Google.
    Também gosto do livro, e fico feliz que você tenha indicado. Mas é bom pesquisar antes de criticar/comentar alguma coisa, ou pode acabar ficando constrangedor.

    Bjs,

    • Juh Oliveto disse:

      Bia,
      Não me sinto constrangida, nem um pouco. Preferia que tivessem mantido o nome original.
      E mesmo que as canções sejam inventadas, também prefiro que estejam no original. Na minha opinião, algumas coisas não se traduzem. E, bem, aqui no blog estou expondo a minha opinião.
      Não preciso ir caçar cada linha sobre um livro antes de falar dele, a menos que seja uma informação útil para os leitores e não, como nesse caso, repito, apenas minhas opinião.
      Obrigada por gastar seu tempo com as críticas, de qualquer maneira. :)
      Beijocas!

  6. Elida Malheiros disse:

    Juh, juro que vc quer me falir!
    Essa semana foi meio corrida pra mim, to tirando uma hora a mais no trabalho, pra compensar uma viagem minha nas próximas semanas, tinha visto que vc tinha colocado resenha, mas como vi que ela era grande resolvi ler com calma. Poxa, o livro me encantou, uma historia fascinante. Ele me lembrou um pouco outro livro chamado Meu inverno em Zerolândia que eu tbm estou louca pra ler. Mais um vez você deu um show na sua resenha, mostrando sua visão dos livros, também achei a tradução do nome do livro meio zuada, mas infelizmente isso acontece algumas vezes. Obrigada Juh!

    Beijinhos :*

  7. Luana Nunes disse:

    Oi Juh!!
    Amei essa resenha, o livro me parece muito bom, quero muito lê-lo. E essa capa hein? é maravilhosaaa *-*
    Beijoos

  8. Ana Beatriz disse:

    Oi Juh, eu adorei essa resenha. Eu estava mesmo precisando de uma leitura nova, boa e recomendada. Estou muito anciosa para ler esse livro.
    Obrigada!
    Beijos.

  9. Vanessa Dias disse:

    Juh, obrigada por compartilhar o que sentiu lendo esse livro. Falar que eu amei tua resenha é eufemismo, mas por falta de palavra melhor… Eu definitivamente amei. E me emocionei muito com ela. Eu estou nessa fase de livros assim e adorei a dica. Vou correndo para o Goodreads adicionar esse livro na minha lista tbr ;)
    Seguindo aqui!

    Beijinhos

  10. Eveline Thalita disse:

    Oi Juh!!

    Resenha muito boa e a história parece ser bem tocante. Fiquei imaginando quantos adolescentes passam por esta fase sem ter o apoio necessário para superar os traumas e problemas, chegam a fase adulta com grandes cicatrizes e, por consequência, não conseguem construir pontes com as pessoas ao seu redor.

    Boa dica ;)
    Abraços

  11. E eu pensando que era a única que tinha gostado dessa capa hehe

    Pela a sua descrição dos personagens, eu poderia pensar que estaria lendo só mais uma fanfic, mas do jeito que aparentemente a história foi desenvolvida, eu me engaria e feio!
    Adoro esses livros que tratam dos problemas adolescentes, porque essa é uma das piores fases da vida de boa parte das pessoas e muitos autores retratam ela como se fosse a mais glamourosa!
    Com certeza Um di de cada vez entrará na minha wishlist!
    Beijos,
    Carol.

  12. Gleydson disse:

    Concordo com você, Juh. Certas coisas não deviam ser traduzidas. Faking Normal é muito mais atraente que Um Dia de Cada Vez, sem dúvidas!
    Beijo! ;)

  13. Fernanda disse:

    Juh, passei aqui só para registrar que amei a história e que o livro é interessante, envolvente, dramático e forte. Muito, muito bom, vale mesmo a pena essa leitura. Não sei o que seria de mim sem suas resenhas, pois até hoje você nunca me decepcionou. :*

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