Li, gostei, mas não resenhei #1

Hoje inauguro essa coluna que há muiiiito tempo está na minha cabeça. Acho que isso acontece com qualquer blogueiro: lemos um livro, adoramos, mas – por um motivo ou outro – não resenhamos.

No meu caso, na maioria das vezes é um problema de tempo… ODEIO resenhar o livro muito depois de ter lido, parece que esqueço coisas importantes, detalhes essenciais que gostaria de compartilhar. Aí aquele livro que adorei acaba perdido nos confins da minha memória, sendo recomendado só no boca a boca e vocês, leitores, ficam sem saber o que eu achei.

Esse também é o caso de séries que amo, mas que não são “atuais”, como Harry Potter e o O Senhor dos Anéis, por exemplo, que amo de paixão, mudaram totalmente a minha vida, mas nunca fiz resenha por aqui – até porque acho que seria absolutamente incapaz.

Reforço: isso não é uma resenha, mas vou fazer comentários gerais baseados na minha experiência e nos detalhes que lembrar. Agora, chega de blá blá blá!

Vida Após a Morte

Sinopse: Aos dezoito anos, Damien Echols foi apontado como líder de um grupo satanista e principal responsável pelo assassinato de três garotos de oito anos em West Memphis, no Arkansas. Após um julgamento marcado por falsos testemunhos, provas manipuladas e histeria pública, em 1994 seus amigos Jason Baldwin e Jessie Misskelley foram condenados à prisão perpétua e Damien foi enviado ao Corredor da Morte, onde aguardaria sua execução. As irregularidades gritantes no desenrolar do processo, bem como a apatia dos advogados de defesa, chegaram ao conhecimento do público dois anos depois, por meio do documentário Paradise Lost: The Child Murders at Robin Hood Hills. Desde então o caso conquistou repercussão mundial e angariou simpatizantes célebres, que se empenharam vigorosamente para que a justiça fosse feita. Graças a esse esforço, o trio de West Memphis foi enfim libertado em 2011.

 

Acho que comento sempre por aí o quanto ADORO biografias, certo? Acho fascinante conhecer um pouco mais da vida de figuras que me interessam e, às vezes, gosto ainda mais quando se trata de uma autobiografia.

A primeira vez que ouvi falar dessa história foi pesquisando, aleatoriamente, o motivo de Eddie Vedder, vocalista do Pearl Jam (minha banda favorita), usar um uniforme escoteiro com o numeral da tropa 365 no braço. Sei que as três crianças assassinadas eram escoteiras (como eu!) e essa foi uma espécie de homenagem do cantor – mas nunca consegui confirmar totalmente a história.

Mas claro que só descobri isso depois de muito fuxicar e chegar à história de Damien e seus dois “amigos”. Não só Eddie, mas também nomes como Johnny Depp e Peter Jackson se engajaram para desfazer essa suposta injustiça. Tento tanta gente que gosto reunida, não deu… Precisei conhecer os detalhes.

A história é chocante do assassinato em si até suas consequências. Não sou ninguém para julgar o certo e o errado, mas posso me basear nos fatos que conheço para opinar, e é o que faço aqui. Damien nos conta sua vida desde o início, passando pelo momento no qual o policial que viria a destruir sua vida aparece e chegando até sobreviver ao corredor da morte.

É absolutamente angustiante a forma como tudo foi conduzido desde o início, mas imaginar que por conta da incapacidade e incompetência daqueles que deveriam defender a justiça uma pessoa quase morreu, depois de MUITO sofrer, é absolutamente aterrador.

Aqui parto do princípio de que a história que o autor nos conta é a verdadeira – como disse, não vou julgar, e muita gente ainda acredita que eles são culpados – e por isso mesmo fico indignada. Não é só um soco no estômago, é um espancamento geral!

Com muita sensibilidade e um surpreendente talento, Damien nos mostra sua vida antes, durante e depois da prisão. Ler tudo o que ele passou dentro do sistema carcerário estadunidense é MUITO tenso! As coisas são escandalizantes, revoltantes e agoniantes, principalmente se pensarmos que é um inocente que está perdendo a vida, um jovem que cresceu dentro da prisão e, finalmente, depois de DEZOITO ANOS, teve justiça.

Quer dizer, mais ou menos. O encerramento do caso não foi tão justo quanto poderíamos pensar, mas, ao menos, ele está livre. E casado. E feliz, dentro do possível. Porque, sim! Eles nos conta como “conheceu” a esposa ainda na cadeia, relata com detalhes como se agarrou à espiritualidade e ao amor e como, mesmo depois de tudo, conseguiu manter a sanidade mesmo diante de uma realidade cruel.

Optei por aceitar as palavras do autor como verdadeiras, porque ele também apresenta fatos – comportamento de policiais e advogados, por exemplo – que são convincentes. E justamente por isso me envolvi tanto na leitura, que me tirou as esperanças para, no final, me dar um pouco de paz.

Uma história chocante, mas contata com tamanha qualidade que vale a pena ser lida. Recomendo sempre (e muito) para todos!

  1. Rodrigo disse:

    Gostei demais dessa nova coluna, Juh. E, mesmo que não seja uma resenha, já senti que daqui vou tirar vários livros pra minha lista de leituras XD

  2. Wagner Almeida disse:

    Achei muito legal a nova coluna do blog, até porque concordo com você! Muito bom o post também!

  3. Nadja disse:

    Oi! Biografias não são o meu forte, mas algumas como essa merece atenção e uma chance. É uma história triste, mas que teve um final pelo menos satisfatório, depois de tudo que ele passou não posso dizer feliz. Não acompanhei a história e nem nunca tinha ouvido falar, que eu me lembre, mas aceitando a sua inocência, fizeram com ele algo terrível.

  4. Elida Malheiros disse:

    Confesso que não sou muito chegada em biografias nem nada, porém já tinha ouvido você falar muito bem sobre o livro em alguns vídeos e fiquei curiosa, dei até uma pesquisada sobre o livro na internet e encontrei outra blogueira falando positivamente.Decidi dar uma chance e ver se eu ira gostar antes de saber qual seria o post de hoje e agora meio que se tornou uma leitura quase obrigatória pra mim. Darei uma chance pra ele em 2015 com certeza!

  5. Cristina Capobiango disse:

    Oie!
    Parabens pela nova coluna. Estou amando!
    Tambem gosto de biografias e autobiografias e me interessei muito por essa que vc acabou de nos apresentar. Acabei de colocar na minha lista de livros para ler em 2015.
    Bjos

  6. Cristina Capobiango disse:

    Oie!!!
    Parabens pela nova coluna Ju. Ja comecei amando! E esse livro acabo ude entrar pra minha lista de livros para ler em 2015. Gde bj

  7. Eveline Thalita disse:

    Oi Juh!!

    Já gostei dessa coluna e quero indicar os livros de Jane Austen para incluir aqui :D
    Sobre biografias, eu gosto muito e espero em breve poder ler esta história. Pelo que você falou, acredito que seja um cenário tenso, afinal de contas, é o corredor da morte, a libertação de uma vida após anos de confinamento.

    Abraços!!

  8. Bárabra Mac disse:

    Amo seu blog, e simplesmente me conectei com essa coluna, Vi alguns outros blogs fazendo e consegui descobrir *agora mesmo* que é você quem criou! Parabéns pela criatividade.

    Bom, diferente de você não gosto de biografias, mas acho que darei chances para ela dependendo do assunto de interesse. Quem sabe um dia?

    Beijos, espero que não se importe de eu usar o mesmo tópico *–*

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