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Na Minha Caixa de Correio #79

Na Minha Caixa de Correio

Mais uma caixinha especial! Desta vez com livros da feirinha itinerante de livros aqui do RJ! \o/
Como vou ficar fora o final de semana inteiro, liberei o vídeo no sábado para ninguém pensar que abandonei o blog! :P

No ar!

Chegou!

  • Procura-se Um Namorado – Última Chamada, de Melissa Senate, Harlequin Books
  • Um Verão Para Toda Vida, de Michael Noonan, Galera Record
  • O Divórcio dos Meus Sonhos, de Clare Dowling, Bertrand Brasil
  • Sábado, de Ian McEwan, Companhia das Letras
  • Branca Como o Leite, Vermelha Como o Sangue, de Alessandro D’Avenia, Bertrand Brasil
  • Os Filhos da Liberdade, de Marc Levy, Record
  • Dorothy on the Rocks, de Barbara Suter, Bertrand Brasil
  • Seis Contos da Era do Jazz e Outras Histórias, de F. Scott Fitzgerald, José Olympio
  • Marsha Mellow e Eu, de Maria Beaumont, Bertrand Brasil

Beijocas!

 

Se você quer enviar uma cartinha, use o endereço do blog! ;)

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Rio de Janeiro – RJ

Seriado: Freaks and Geeks

Isso realmente foi um seriado?

Direto do túnel do tempo, desencavo mais um seriado. Assim como My So-Called Life (já resenhada por aqui), Freaks and Geeks também é extremamente bem construída, com roteiro muito próximo da realidade, e uma estética para lá de grunge. Mas essas características não são as únicas semelhanças entre as duas séries… Ambas foram canceladas logo no início.

Freaks and Geeks estreou em setembro de 1999, na rede norte-americana NBC, e conta a história de Lindsay (Linda Cardellini, mais conhecida como a Samantha de ER e affair do Dr. Kovak), uma adolescente que está no ensino médio e em crise de identidade. Considerada uma geek (em tradução livre, uma nerd, cdf etc) ela decide, depois da morte da avó, que a vida é muito curta para ficar estudando e não aproveitar nada.

Dessa forma, ela acaba tornando-se amiga de Daniel Desario (James Franco ainda no início da carreira, e na mesma atitude do Oscar!), um bad boy que não liga para opinião de ninguém e não quer nada da vida. Quase que instantaneamente os caras do círculo de Daniel adotam Lindsay. Ken (Seth Rogen) e Nick (Jason Segel) são algum deles, e principalmente o último logo mostra um certo interesse na confusa novata do grupo. Mas Lindsay ainda tem que enfrentar Kim (Busy Philips, agora do elenco de Cougar Town) dedicada a infernizar a vida dela, isso porque ela cismou que Linds está tendo um caso com Daniel.

Em paralelo o seriado também conta a história de Sam (John Francis Daley, o Dr. Sweets de Bones!), irmão de Lindsay. Ele é um garoto franzino (Nossa! Escritor feelings depois de usar essa palavra!) que vive sendo aterrorizado por outros garotos, exatamente por ser mais fraco. Só eu pensei na palavra, bullying? Tá, nem eu aguento mais ouvir essa palavra.

E para aguentar a dura realidade há ainda Neal (Sam Levine, o Hirshberg de Bastardos Inglórios) e Bill (Martin Starr, o James Masseling de Super Bad), dois geeks que são viciados em “Jornadas nas Estrelas” e companhia, e assim como Sam também sofrem por não serem bonitos, mas mais inteligentes que a média.

O roteiro é bem real e mostra que as coisas não são tão preto no branco como a maioria dos seriados descreve a vida dos adolescentes. O texto representa a fase em que a maioria das pessoas iniciam uma crise de identidade, não sabe quem são, ou o que deveria te definir como pessoa. Sem esquecer que as pessoas sempre se questionam qual é o seu lugar nessa pequena sociedade que é a escola.

Foi provavelmente por causa disso que o programa foi cancelado. Por passar uma história tão próxima da verídica, acaba por não mostrar o conto de fadas que todos querem ver na TV, principalmente nas grandes redes como a NBC.

E não é de espantar que os atores da série viessem a crescer em todos os tipos de meios, desde a TV até o cinema. A própria protagonista, Linda Cardelinni, ficou conhecida por participar de seriados. E outros protagonizaram dezenas de filmes, são eles: James Franco, Seth Rogen, Jason Segel, John Daley, Sam Levine e assim vai.

Isso, em parte, pode vir da escalação de um dos produtores do seriado, o agora famoso roterista e diretor, Judd Apatow, responsável pelas melhores comédias cinematográficas da atualidade: Segurando as Pontas (The Pinapple Express – com James Franco e Seth Rogen), Superbad, Ligeiramente Grávidos (Knocked up – com a Katherine Heigl e Jason Segel) e outros que fazem parte de uma lista imensa!

E ainda é preciso comentar que “Freaks and Geeks” tem uma trilha sonora perfeita de abertura – Bad Reputation, cantada pela legendária Joan Jett (sim, a mesma que tocou no Lollapalooza). E assim como os shows, a Multishow também exibiu todos os episódios (são apenas 15) da única temporada do seriado. Os mesmos também podem ser vistos através deste canal do Youtube. No entanto, não estão legendados.

XO e até a próxima coluna.

Resenha: Para Sempre


Para Sempre
de Kim e Krickitt Carpenter,
editora Novo Conceito.

Editora Novo Conceito

Antes de mais nada, gostaria de dizer que essa é uma história real, amplamente divulgada pela mídia internacional. Por isso não considero nada que possa comentar como spoiler. :)

Kim era treinador esportivo. Kickitt trabalhava em uma loja de material para esportes. O primeiro contato entre os dois acontece quando Kim decide encomendar uma jaqueta de treinador e Krickitt atende o telefone. Foi paixão ao primeiro “alô”, literalmente!

Depois deste primeiro telefonema outros se seguirem apenas para que Kim pudesse ouvir a voz doce e simpática de sua nova “amiga”. E a partir daí passam a se falar muitas vezes, dando início a uma espécie de namoro à distância – afinal, moravam em lugares diferentes.

Quando finalmente se encontram, têm certeza que devem investir em um relacionamento duradouro. Algum tempo e muitas passagens aéreas depois, os dois resolvem se casar e serem felizes para sempre. E o casamento corria maravilhosamente bem até que um trágico acidente de carro muda a vida deles para sempre.

Krickitt fica à beira de morte, em coma por várias semanas, até que um milagre parecer intervir por ela. O único problema é que ela não tem lembrança nenhuma de ter conhecido Kim e menos ainda de ter se casado com ele!

Kim fica devastado, claro, mas continua ao lado da mulher. Mas a verdade é que sua esposa morreu no acidente, e aquela Krickitt que está ali é tão desconhecida para ele quanto ele para ela.

Ele luta bravamente (e por muito tempo) para ajudar na recuperação da esposa. Ajuda no tratamento médico, está sempre ao seu lado e não tem vontade de desistir. Ela, por sua vez, fica insuportável depois do acidente. Passa a agir como uma adolescente mimada e irritante, nada a ver com a mulher por quem Kim de apaixonou – a não ser pelo sorriso.

O livro é narrado por Kim, que o faz de maneira não linear e, às vezes, um pouquinho confusa. A história, apesar de biográfica, tem umas partes que soam um tanto romanceadas e surreais. Mas não por isso a história deles deixa de impressionar.

Krickitt sempre foi uma mulher de muita fé, e isso foi a única coisa que permaneceu intocada depois do acidente. Apesar de MUITO chata, consegui imaginar bem o sofrimento que deveria ser a vida dela naquele momento.

Concordo com muita gente: é uma linda história de amor. Porém, não pude deixar de duvidar de muitas coisas… Especialmente no motivo pelo qual os dois estão juntos até hoje. A própria Krickitt já admitiu que aprendeu a amar Kim, mas acho que muito dessa vontade de permanecer ao lado dele veio da religião.

Fica a impressão de que para ambos era impossível romper o laço matrimonial religioso, independente da circunstância. Então, sem outra opção, ela decide reaprender a amar aquele homem que fez muito por ela.

Senti falta de ter a oportunidade de acompanhar o lado dela da história, temos apenas a visão e opinião de Kim. Mas gostei muito da sinceridade no final, quando assumem que os dois optaram por aproveitar toda a exploração da mídia para poderem mostrar ao mundo sua história.

Hoje os dois estão juntos e têm dois filhos. Krickitt nunca se lembrou de Kim antes do acidente, mas diz que é feliz e o ama por tudo que ele fez por ela depois. O livro é um relato (apesar de estilisticamente fraco) de superação e amor, por vezes emocionante e por vezes aflitivo.

Gostei de conhecer mais a fundo a história deles, mas – como tentei deixar claro aqui – tenho minhas ressalvas. É um livro para quem se importa mais com o conteúdo que com a escrita, pois Kim não é um profissional. Mas acho que vale a leitura para quem gosta de histórias deste tipo. Li rapidinho, não mudou minha vida, mas não me fez perder tempo.

Compre na Saraiva

Filme: 21 Gramas

Quanto pesa a vida?

“Dizem que todos nós perdemos 21 gramas no exato momento de nossa morte… O peso de uma pilha de moedas… o peso de uma barra de chocolate”.

Esse mito surgiu após um experimento de um cientista desconhecido que constatou que perdemos exatamente 21 gramas no momento em que morremos. Não se sabe até que ponto o fato é verdadeiro, mas é a partir desta afirmação que o filme “21 Gramas” (“21 Grams”, no original) apresenta seu roteiro.

O filme mostra as vidas conturbadas de três personagens: Cristina Peck (Naomi Watts), uma mãe ex-viciada em drogas que está em tratamento; Jack Jordan (Benicio Del Toro), um ex-presidiário que se tornou religioso; e Paul Rivers (Sean Penn), um professor universitário que aguarda um transplante de coração. Seus destinos acabam se cruzando por causa de um acidente de carro que terá consequências inesperadas e testará os limites do amor, da vingança e da redenção de cada um deles.

Dirigido pelo cineasta mexicano Alejandro Gonzáles Iñárritu, o longa é o segundo da trilogia composta por “Amores Brutos”, de 2000, e “Babel”, de 2006. Todos os três têm o mesmo formato não-linear e sem ordem cronológica. Seguindo a idéia da teoria do caos, em que a partir de uma única ação tudo pode mudar, o filme mostra como cada uma de nossas ações pode interferir no rumo da vida de muitas outras pessoas.

Ao longo do filme, as informações vão sendo mostradas para o espectador de forma bastante confusa, misturando cenas leves e tensas, mas que aos poucos vão revelando o passado, o presente e o futuro dos personagens. E percebemos, por exemplo, o quanto Cristina, apesar de ter um marido maravilhoso, usa o casamento como válvula de escape de seu passado obscuro e suas crises internas. E como a mulher de Paul, mesmo com o marido prestes a morrer, se preocupa mais com o seu próprio desejo de ser mãe e logo planeja uma inseminação artificial sem nem se importar com a decisão do companheiro.

É interessante notar também como a questão da religião é colocada pelo diretor. Ela aparece como a única solução para mudar a vida de pessoas como Jack, que já cometerem crimes hediondos e agora tentam se redimir. Mas até que ponto uma pessoa pode se arrepender verdadeiramente depois de tantas crueldades? E como ela vai ser vista daqui pra frente?

A atuação do trio principal está impecável. Sean Penn entrou de cabeça no personagem e convence com sua luta contra o medo da morte. Naomi Watts carrega um grande peso emocional como Cristina e rende uma das melhores interpretações de sua carreira. Já Benício Del Toro, com sua figura rústica, dá vida a um personagem complexo e tenso com muita naturalidade.

21 Gramas” questiona o verdadeiro valor da vida e mostra a morte como o momento em que realmente percebemos o nosso real valor, a nossa verdadeira essência. Como se fosse a hora em que todos os nossos sentimentos, bons e ruins, fossem colocados à prova. Seja através da nossa própria morte ou a de uma pessoa próxima, o quanto ganhamos ou perdemos quando estamos diante dela?

As vinte e uma gramas que perdemos neste momento corresponde ao peso de nossa alma, a leveza do nosso espírito, que finalmente compreendeu que não faz mais sentido carregar tanto peso desnecessário durante a vida. Mas, afinal, o que realmente pesa mais, a vida ou a morte?

Ficha Técnica
Título Original:
21 Grams
Gênero: Drama
Duração: 125 minutos
País/Ano: EUA/2003
Direção: Alejandro González Iñárritu
Roteiro: Guillermo Arriaga
Fotografia: Rodrigo Prieto
Trilha Sonora: Gustavo Santaolalla
Elenco: Sean Penn (Paul Rivers), Benicio Del Toro (Jack Jordan), Naomi Watts (Christina Peck), Charlotte Gainsbourg (Mary Rivers), Clea DuVall (Claudia Williams), Melissa Leo (Marianne Jordan), Danny Huston (Michael), Eddie Marsan (Reverend John).

Resenha: @mor


@mor
de Daniel Glattauer,
editora Suma de Letras.

Tudo começa quando Emmi Rothner tenta cancelar uma assinatura de revista. Por uma questão gramatical – muito bem explicada em uma nota do tradutor, aliás! – o e-mail vai parar na caixa de entrada errada.

Pouco depois, já no final do ano, o mesmo Leo Leike, que foi confundido com a revista Like, recebe um e-mail coletivo de feliz natal e próspero ano novo da mesma Emmi Rothner. A partir daí, o que era uma conversa virtual casual ganha outra dimensão.

Emmi e Leo começam uma amizade baseada na troca diária de e-mails. A atração pelo que o outro escreve cresce motivada pela curiosidade e a ausência de um rosto por trás daquelas mensagens.

Ele recém terminou um longo relacionamento e está trabalhando em uma pesquisa que envolve comunicação virtual. Ela, por sua vez, é casada e feliz. Não poderiam estar em momentos mais diferentes da vida… E ao mesmo tempo tão próximos.

Acompanhamos a troca de confidências, um jogo de sedução e descobertas, a criação de laços fortes e a tentativa – quase sempre frustrada – de um convencer o outro a aparecer [OK, na maioria das vezes é Emmi quem tenta...].

Escrevi cinco parágrafos e já estou odiando tudo o que digitei pelo simples fato de não fazer justiça ao livro, a história e aos personagens. A história de Leo e Emmi é complexa, como qualquer construção de relacionamento, mas ainda tem o agravante de ser virtual.

Fatalmente a vida real e o mundo digital convergem para um encontro, mas eles tentarão evitar – sabe quando você quer e não quer que algo aconteça? – o máximo possível. O medo de estragar o que construíram é enorme! E suas expectativas podem ser frustradas.

Nós, assim como eles, só conhecemos o que se passa entre as caixas de entrada. Tudo o que descobrimos de suas vidas no mundo real chega até nós através das mensagens eletrônicas que trocam, o que também torna ainda mais bacana a tentativa de construirmos uma imagem dos personagens na nossa cabeça.

Daniel Glattauer conseguiu construir protagonistas fascinantes e diálogos extremamente envolventes (e muitas vezes engraçados). Comecei o livro em uma manhã e não desgrudei dele até terminar – e isso inclui enquanto estava na academia!

Ri bastante, chorei, questionei atitudes, fiquei apreensiva etc etc etc. Mas o mais impactante foi o que senti no final: COMO ASSIM “CONTINUA”? COMO ASSIM? Quase tive um treco ao descobrir que o livro tem uma continuação e que só será lançada em inglês em agosto!

Pra piorar: o autor é austríaco e nem posso ler em sua língua original. HAHAHAHA Mas, logo depois do meu surto, escrevi pra Suma de Letras e descobri que eles pretendem – se tudo der certo – lançar a continuação ainda este ano! \o/

Lamento não ter conseguido fazer a resenha que o livro merece, mas recomendo @mor como um romance levíssimo, curto, ágil e apaixonante. E tudo fica ainda mais interessante pelo livro ser todo escrito em e-mails! Acho que quem gosta de histórias doces, românticas, surpreendentes e inteligentes vai se apaixonar – assim como eu. :)

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